Filed under: Saudação
Queridos,
Sou o Decio Caramigo Neto, formado em Radialismo / Locução, atualmente sou estudante de Comunicação Social – Jornalismo, tenho 25 anos de idade.
Com muita alegria estréio, hoje, meu blog, desejo colocar aqui textos escritos por mim durante as aulas da faculdade, por amigos, ou extraídos de outros veículos, que fazem sentido em minha vida e que poderão, com certeza, despertar algo em vocês, meus amados leitores.
Fiquem livres para escreverem aqui! Argumentem! Façam as pessoas formarem opiniões! Esse é o objetivo principal do blog, e, de acordo com a vivência que eu tenho com algumas pessoas, os amigos, acredito que chegarei ao cume.
Agradeço, desde já, a todos que nos visitarem, aos que somente lerem e aos que derem pitaco nos textos aqui postados.
Grato,
Caca Caramigo
Filed under: Meus textos | Etiquetas: role de crente; banda resgate; cristão
Tudo começou assim. Um “brother”, gente fina, anunciou o show de uma banda do segmento gospel em seu Facebook. Você que lê o texto deve se lembrar que trabalhei como locutor e operador de mesa numa rádio gospel por um ano, passei excelentes momentos lá e aprendi muito naquele período. Uma das coisas que aprendi foi escutar mais músicas cristãs, tem muita por aí sendo produzida que merecem nosso tempo e reflexão.
Enfim, comentei o post com um trecho da música de trabalho do mais recente álbum da banda, afinal, eu a tocava todos os dias. A parte que escrevi diz assim: “nós da terceira serie C, do ensino fundamental, começamos este seminário apresentando o nosso jogral. O homem do mundo moderno, tão capaz, tão global, voltou para a Idade da Pedra, ou voltou a ser Nearderthal”.
Ele curtiu meu comentário, surpreso por eu ter decorado essa parte. Sim, até eu estou surpreso, pois como já disse em outros textos publicados nesse blog, minha memória é de peixe, dura pouco, não armazena nada. O rapaz me convidou para ir ao tal culto de apresentação da banda, afirmando ser $15 para entrar. A minha resposta foi a mesma que tenho dado a todos os meus conhecidos que me chamam para sair, ou fazer qualquer coisa, “estou sem tempo no momento”. Pra ele escrevi exatamente assim: “$15 pra entrar num culto? Cara, tô meio (leia “MUITO PRA CARAMBA” no lugar do “meio”) atarefado com o TCC e com o serviço. O TCC não tem me permitido ir nos cultos que são grátis, aos finais de semana, o serviço não me permitirá ir hoje no que é pago (saio tarde). rsrs…”. Esse valor é irrisório e deve ter sido cobrado para ajudar alguma causa, é sempre assim e isso muito me alegra.
O que não me alegrou foi a resposta um tanto quanto irônica que recebi (vamos às aspas novamente, mas é para dar base, rs): “Quando você se livrar dessas ocupações de gente grande, agente marca um role de crente…”, afirmou ele. Sei do coração desse garoto, e sei que ele vale muito mais que o ouro, pelo menos pra mim, sim. Mas, a resposta dele me fez viajar, pensar muito a esse respeito. O resultado é esse texto. Sim, isso tudo que você leu foi apenas a introdução, vamos agora ao que interessa.
De fato, gente grande tem muitas ocupações, e comigo não é diferente. Quem dera ser criança o tempo todo e não precisar ralar no serviço, ou não precisar ralar na faculdade e apresentar um TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) para obter meu suado diploma (mesmo que para jornalistas ele não seja obrigatório, o que leva a outra discussão). Sim, tenho dedicado meus finais de semana a isso, mas é só por esse ano. Se eu não me dedicar esse ano, terei que me dedicar ano que vem, e eu não quero reprovar, acho que ninguém quer, não é?
Mas, ainda não cheguei ao ponto que me fez parar para pensar. Vou iniciá-lo agora. Vem comigo na leitura.
Ele escreveu “…a gente marca um role de crente…”, hummm, taí o que me fez pensar, e bastante. Role de crente! O que é ser crente? Esse termo está tão encrustado na instituição igreja, que, deturpado, não é notado.
Certa vez vi uma matéria sobre uma igreja de adoração ao Diabo, lá todos eram crentes. Crêm piamente em seu senhor, o das trevas. Num bairro bem conhecido de São Paulo tem um templo de adoração a Buda, todos que frequentam são crentes no Budismo. Existem os crentes em homens iguais a mim e a você. Existem crentes em alienígenas, existem crentes de todo o tipo e tamanho. Existem até os crentes em coisa nenhuma, e se chamam de ateus. Em minha opinião, o ateu crê que não crê em nada… é crente! Crente está para cristão, assim como Jack Bauer está para salvador do mundo!
Ser crente é muito fácil! Eu sei qual o significado de crente que meu “caro amigo” quis dizer. Mas, não dá para deixar de notar que existem muitos “roles de crente” por aí.
Por Decio Caramigo
Filed under: Textos de Amigos | Etiquetas: amizade, carolina torres, reencontro
Essa semana o limite da minha paciência foi seriamente testado. O engraçado é que não fiz nada de errado, apenas fui amiga demais e acabei levando a pior, como sempre. As vezes, como diz minha mãe, pagamos caro por sermos bonzinhos demais… Bom, eu não acho isso, não mais depois do que aconteceu. Não vou expor o ocorrido, mas quero falar sobre amizade. Um tema talvez clichê, mas que sempre nos remete a outros assuntos: lembranças, risadas, choro, alegria, tristeza, segredos, fofocas, brigas, intrigas, insegurança e segurança.
Existem amigos mais chegados que irmãos. Uma verdade que poucos tem o prazer de experimentar. Eu mesma, não posso dizer isso, ainda não tive a oportunidade de provar o sabor que é ter um amigo que eu ame como a um irmão. Por mais cruel que seja dizer isso, e meus amigos que me perdoem, ainda não senti que fosse amada da mesma forma. Talvez as maneiras de expressar esse sentimento é que não sejam tão claras e eu não consegui identificar ou decifrar os códigos, o fato é que hoje em dia não se pode confiar nas pessoas. O companheirismo e a irmandade quase deixaram de existir, mas existem. Em algum momento da vida pensamos que um sentimento será pra sempre, mas esquecemos que “o pra sempre, sempre acaba”. Podemos levar guardados no coração e na memória momentos que julgamos inesquecíveis e pessoas inigualáveis, singulares, mas é só o tempo que mostra a intensidade do sentimento trocado e a real importância daquele momento.
Digo tudo isso, porque há muito tempo não via e não me relacionava com pessoas que cresceram comigo, que brincavam comigo na rua e que emprestávamos roupas quando adolescentes, que me davam o ombro amigo pra chorar por causa daquele namoradinho, ou que era o meu namoradinho ou paixonite, aquela amiga que eu odiava no começo do ano, mas que no final choramos porque não aproveitamos a melhor fase da vida (adolescência) juntas… E agora essas pessoas voltam como se não houvesse uma lacuna enorme entre o último dia que nos vimos há anos atrás e o ontem, dia que nos reencontramos e colocamos as novidades em dia… É tão bom relembrar o passado, curtir o presente e sonhar com o futuro!
Todos mudaram tanto, cresceram, sinto orgulho de cada um em sua particularidade, afinal cada um é de um jeito, de uma cor, de uma forma; mas sinto um imenso prazer em rotular como MEU AMIGO (A), respeitando seu jeito de ser, não querendo mudar, mas ajudar a melhorar, sem impor a minha opinião e sem misturar as coisas: não tomo partido de ninguém, mas sempre que precisar estou por perto para ajudar.
Esse texto mais parece um desabafo diante dos acontecimentos, mas tenho certeza de que muitos passam por isso. Sofrer decepções amorosas nos ensinam a viver, mas decepções com amigos, aqueles que um dia pensamos em considerar e chamar de irmão, dói muito mais e é irremediável. Novamente o tempo será encarregado de curar as feridas e passar uma borracha nos maus entendidos, apagando da memória o que realmente aconteceu, com ou sem motivo, para que nos separássemos outra vez.
Muitos não entendem porque a vida as vezes nos faz perder as pessoas que mais amamos, mesmo que não seja pra sempre. Gosto de pensar que é só um tempo disponível para percebermos, que por mais que amemos uma pessoa, os defeitos dela sempre vão nos machucar, e que serve de lição para não fazermos igual ou fazer o que ela faz. Tudo tem seu tempo debaixo do céu. Agora o tempo, o meu tempo, é de reencontros. Reencontrar verdadeiros amigos.
por Carolina Torres
Filed under: Meus textos | Etiquetas: gaita, Hering, Nepomuceno, titulares do rítmo
O aluno ainda não dominava o instrumento e afirmava que tinha algo de errado:
- Geraldo, as palhetas da minha gaita não estão vibrando direito. Acho que trincaram, ó! E começou a soprar uma música qualquer.
- Bom, me dê ela aqui, vamos ver o que tem. Falou o professor, com um certo sorriso no rosto.
Começou a soprar e aspirar os orifícios da Hering Cromática, de 48 vozes. Soprou todas as notas, intercalando as naturais das acidentadas, apertando o registro (botão localizado no canto da gaita, serve para subir meio tom, alterando a nota de natural para sustenido).
Dó natural, dó sustenido, ré natural, ré sustenido, mi, fá, sol, lá, si… naturais e sustenidos, nota a nota… Eram 48. Tudo muito rápido e com um sopro lindo, digno de Luiza (esse é o nome da gaita).
- Meu filho, sabe o que a gaita tem? Ele pergunta ao aluno, estendendo a mão com o instrumento, para que ele pegue. Tem um som muito bonito… ele mesmo respondeu.
Nesse dia, Geraldo me ensinou que se quisesse ser um gaitista (mesmo que por hobby, como sou), teria que soprar e aspirar sem dó.
Passei a aplicar o que havia aprendido. Isso mais tarde me rendeu um elogio do outro professor, Luis Aude, enquanto ele ensinava os iniciantes. Eu ensaiava Carinhoso no páteo do Tendal da Lapa, ele ouviu e disse para a sala:
- Ouçam que som bonito, vocês têm que soprar assim. Quando fiquei sabendo do elogio, fiquei todo feliz e na hora me veio o conselho do Geraldo.
Aprendi muitas coisas com meus professores, e mestres, de gaita, eram três: Luis, na iniciação e Fernando Alves e Geraldo Nepomuceno, para os mais avançados. Mas, com o Geraldo eu aprendi algo mais, aprendi a gostar da vida. Suas histórias davam uma certa vontade de vivenciá-las.
Falando em vida, as tarefas da minha me separou das deles por alguns anos, mas só fisicamente. Sempre me recordo dos bons momentos vividos no Tendal.
Do Luís eu levo o sorriso, o amor pelo que se faz, levo as aulas de história entre um intervalo e outro, se não me engano ele era professor de História, aposentado. Levo também a saudade, ele se foi há uns anos, só fiquei sabendo algum tempo depois. Doeu.
Do Fernando trago a lembrança do sossego em pessoa, é mais novo que eu, mas não conseguia deixar de chamá-lo de professor, ele pediu que eu “parasse com esse negócio” [risos]. Além de lembrar muito bem do talento para a música, que é incontestável, nasceu para isso.
Dos colegas de sala tenho três amizades marcantes com Beth, Rubia e Paulo, e, com certeza, eles eram o orgulho dos professores, alunos bem aplicados. Eu levava o curso na “gaita”, com o perdão do trocadilho. A semelhança entre os quatro, é que cada um sabia o que queria com o instrumento. Talvez, a diferença é que eu só queria aprendê-lo sem pretensão alguma de ser um músico, só hobby mesmo, como já mencionei. Assim, todos tiveram êxito.
Trouxe toda essa recordação, não por motivo de alegria. Sou feliz por ter vivido com cada um dos mencionados no texto, mas o motivo da tristeza é que hoje, dia 8 de abril, Geraldo Nepomuceno deixou os palcos de tantos teatros que tocou, enquanto integrante do Titulares do Ritmo, e passa a nos olhar das cochias.
Geraldo nasceu em 6 de junho de 1931, completaria 80 anos bem vividos. Cego de nascença, assim como os outros 6 que compunham o maior conjunto vocal da história da música popular brasileira.
O nome Titulares do Ritmo foi escolhido porque havia muito artista ruim, e “quem é titular não é reserva”, diz aos risos Brito, também do sexteto e que tenho o imenso prazer de conhecer. Completa dizendo o interessante fato de que “cada um tinha um título de nobre, e Geraldo era o príncipe”.
Aproveito e traço um paralelo, a “nobreza” da MPB está deixando o castelo. Um a um está completando seu reinado e indo… ficando o que se vê hoje, a república e seus “governantes”.
Sou grato a Deus por ter colocado em minha vida as pessoas que me ensinaram tanto, as que ainda me ensinam tanto e as que me ensinarão tanto.
Tenho um pedido: Que o coração de cada um que, mais de perto, ou mais de longe, viveram com o Geraldo seja confortado.
Aproveito e deixo, através desse texto, um beijo no coração da dona Nilza e sua família, vocês foram agraciados por terem como patriarca o Geraldo. Um beijo também na vida de Brito, que com toda a cautela, teve a dura tarefa de transmitir a mim essa dolorosa notícia.
O Geraldo é um mestre, pensarei nele com carinho e terei prazer!
Decio Caramigo
Filed under: Meus textos | Etiquetas: amor; badalados, In Focus; sempre verde, vitamina
Para os que não sabem, integro a equipe de uma produtora, In Focus, em eventos. Dentre muitos trabalhos, e todos prazerosos, fomos contratados, no último final de semana, por um casal gente fina, Juliana e Humberto Rodrigues, para que realizássemos o Badalados® em sua festa de casamento.
Mas, o que é o Badalados®? Explico: filmamos o evento e editamos como um programa de televisão de coluna social, imagine um Amaury Jr. só que o repórter sou eu.
O rev. Eduardo, que realizou a cerimônia, disse algo muito relevante em seu sermão, e que ficou em minha cabeça. Durante a festa, o chamei para um bate-papo em frente às câmeras. Antes de citar as palavras do pastor, gostaria de descrevê-lo, para que você imagine o quão gostosa foi nossa conversa.
Era um samba, não me recordo qual, mas era coisa boa! Ele estava em pé, de um lado a mesa e do outro sua esposa, a pastora Edna. Enquanto ele sambava, eu pensava “esse é dos meus, é do samba”. Um negrão de, aproximadamente, 1,80m, cabeça raspada na máquina número um. A pastora Edna dançava menos, mas estava lá, na bagunça. Uma boa bagunça!
O que ele disse no momento da cerimônia que ficou na minha cabeça é que “o amor não acaba, o que acaba é o romantismo”. Achei bem interessante, pois eu também acredito que se for amor, não pode acabar. Em nossa entrevista, eu perguntei mais sobre o assunto e ele disse que quando a chama do amor está fraquinha, é necessário colocar mais lenha, e o romantismo é essa lenha.
Disse para ele sobre a paixão de minha mãe com plantas, árvores, enfim, com a vida simples da roça, pois somos mineiros. E, lembrei que quando eu era criança, a Soso (forma carinhosa que chamo minha mãe, Sônia) colocava uma mistura na água para regar suas plantas, o nome desse produto era “Sempre Verde”.
Eu perguntei para ele se esse “Sempre Verde” pode ser considerado o romantismo, pois se trata de uma mistura de vitaminas para as plantas continuarem com um verde impecável. Nesse caso, as plantas são o amor.
Ele olhou para mim e confirmou a analogia, dizendo que o romantismo é isso mesmo, uma vitamina para o amor. Nem sei porque estou escrevendo isso, mas sinto que essa mensagem, que é bem simples, tem que ir longe. Estou fazendo a minha parte e dividindo-a com você, afinal, como eu sempre digo: Só o amor constrói!
Decio Caramigo




